Autor: Aline Sieiro (Page 1 of 3)

Agenda Haeresis 2025

Convite ao trabalho 

Haeresis 2025

A linguagem do equívoco e o fazer do analista em nosso tempo

Aline Accioly

Cirlana Rodrigues de Souza

Germano Almeida Faria Fortunato Pereira


Em uma das séries de aulas que Jacques Lacan (1975, p.98) proferiu em sua visita aos Estados Unidos, ele afirmou que “a civilização é o dejeto e os dejetos são a única coisa que testemunha que temos, muito incertamente, um interior. A característica do homem é que ele não sabe o que fazer com seus dejetos.” Lacan insiste em não reduzir o ser humano a sua porção psicologizante, muito menos a uma elevação categorial transcendental, tampouco a reduzi-lo à uma passividade reflexiva de estruturas ou condições sócio-históricas determinadas, e nem à biologia da espécie. Não se trata de ignorar esses aspectos constituintes do humano, mas o trabalho do psicanalista é sobre outro desses aspectos: aqueles da e na linguagem que comportam a dor, o sofrimento e as mazelas do sujeito. A psicanálise é justamente o espaço de linguagem da cura e do tratamento da angústia. O sujeito freudiano não coincide com o Eu dos filósofos – “mero feixe instável de impressões sensíveis”, nem resume-se à instância de um Eu primário/originário, pois constitui-se estruturalmente como um antagonista das exigências da vida pulsional e da cultura. 

Como podemos nos servir da provocação lacaniana dos anos de 1970  para retornar à leitura de outra proposição, nos anos cinquenta: “Deve renunciar à prática da psicanálise todo analista que não alcançar em seu horizonte a subjetividade de sua época”? (Lacan, 1953, p. 321). E, acrescentando um passo a mais: O que é inconsciente em nossa época? Como psicanalisar em 2025? Essa será a direção de trabalho nos espaços da Haeresis este ano.  

Ao retomar a letra freudiana e seu modo de interpretar os equívocos, Lacan investigou os atos freudianos em seus cinco casos paradoxais. O psicanalista francês se espantou com o desapreço que os analistas demonstraram pelas intervenções freudianas, que perdura até hoje. Sigmund Freud formulou que todo ato falho é um discurso bem sucedido e o lapso é a mordaça que gira em torno da fala, pois um bom entendedor sempre encontra sua meia palavra. Se o sintoma do sujeito se resolve quando sua trama é analisada na gramática que o suporta, deixa em aberto como manejar a repetição na associação desses mesmo elementos, infinitizando a produção de sintomas, pois a mola inconsciente não cessa de combinar elementos e ordenar seus equívocos, articulando e desarticulando sintomas.  A linguagem, no entanto, não cessa de revelar o sujeito e seu inconsciente. 

Quanto mais a análise das resistências foi estabelecida como direção de tratamento das análises, maior ficou o desconhecimento do sujeito em seu arranjo singular no campo da linguagem. O jeito com que Freud lidava com a resistência, em cada caso, demonstra esses impasses, quando, por exemplo, reconheceu a resistência do Homem dos Ratos nas primeiras sete sessões. Mas deixou passar e as escreveu no escrito sobre o caso, demonstrando que suas decisões clínicas não ignoraram, mas entendiam as resistências como parte da transferência. Freud decidiu, portanto, incentivar o sujeito a superar suas primeiras hesitações, sabendo do perigo imaginário dessa sedução. 

Na escrita do caso, Freud localizou “o horror, em seu rosto, de um gozo ignorado” quando o paciente falou do rato entrando pelo anus e reparou na reação de Freud, marcando sua entrada no relato do paciente. Nem por isso, Freud interpretou para o paciente suas resistências. Acedeu à solicitação deste, a ponto de parecer ter entrado no jogo do sujeito. Posteriormente, essa estratégia se revelou interventiva, a tal ponto de ter sido encadeado, no seu pensamento do paciente, entre os ratos, com os florins com que remunerava o analista. Freud sabia da resistência, mas serviu-se dela para implicar o sujeito na ressonância da fala, quando o disposto diálogo, que parecia situar-se como uma conversa, deixando entrever a divisão do falante. (Lacan, 1953, p.292) 

A fala faz ouvir o que ela não diz. Para isso, exige-se assimilar os recursos da língua primitiva do sujeito para ouvir o que ela evoca, e não o que ela informa. É responsabilidade do analista que sua resposta ao sujeito, seu ato, sua interpretação, não seja de aceite ou recusa de seu discurso e de sua pergunta, mas possa reconhecê-lo como sujeito (ou abolido desse lugar) em sua pergunta. Afinal, a fala é um corpo sutil, mas é corpo. (Lacan, 1953, p.301-302) 

Temos que dar ouvidos ao não-dito que jaz nos furos do discurso, mas isso não é para ser ouvido como pancadas desferidas atrás do muro da linguagem, são ruídos que não estamos em condições de compreender, decifrar o sentido, como traduzir aquilo que em si não é linguagem? (Lacan, 1953, p.307-308). 

Ao apelar ao sujeito, este marca seu compasso ao transitar na linguagem. O analista, quando é causado por sua pressa em concluir, guia o discurso do sujeito para a realização de uma verdade (do analista), reduzindo a transferência à relação fantasmática em que dois abismos que se roçam sem se tocar. Quando é impelido a buscar a realidade do sujeito para além de sua montagem, recai na crença que a verdade está previamente dada na história e que seria possível ao analista conhecê-la de antemão. Freud advertia aos psicanalistas de seu tempo que a transferência poderia ser uma repetição da neurose, manifestando o amor, o ódio e a ignorância. A recusa do analista em responder como saber, abstendo-se da mestria, abre a passagem entre real e simbólico. Esse não-agir em função de um saber prévio permite ao sujeito descobrir algo até então não-sabido de si. 

Lembramos, no entanto, que essa suposta abstinência do analista não é indefinidamente sustentada, pois quando o sujeito toma seu lugar como falante, ainda que falado, podemos então pontuar sua dialética. 

O analista desempenha um papel de registro, de recolher do sujeito o que sua fala evoca, como testemunha que responde pela sinceridade do sujeito, depositário do processo verbal de seu discurso, referência de sua exatidão, garante de sua integridade, guardião de seu testamento, tabelião de seus codicilos, o analista participa do escriba. (Lacan, 1953, p.314) 

Engajar-se no discurso analítico implica, ao analista, alocar-se na trama disjuntiva para escrever as inescapáveis equivocações na língua, como forma de habitar o escrito, apresentando, assim, o real enroscado pela estrutura de linguagem e esvaziado dos mitos que, originariamente, supre. 

Seguir o fio do discurso analítico, não tende a nada menos do que a romper de novo, a virar, a marcar com uma encurvação própria, e com uma encurvação que não poderia mesmo ser mantida como sendo a de linha de força, o que produz como tal a falha, a descontinuidade, a ruptura que nos sugere ver, na língua, o que afinal de contas a rompe. (Lacan, 1972-73/2010, p. 114).

No “O Seminário, livro 11”, 1964 (Os quatro conceitos fundamentais), que marcou oficialmente a inauguração do campo lacaniano após sua expulsão da IPA, Lacan deixou uma pista de qual seria a orientação dos seminários subsequentes: a distinção entre “o inconsciente freudiano e o nosso”. A diferença na maneira de formalizar o inconsciente foi detalhada e formalizada como título do “O Seminário, livro 24”, l’insu que sait de l’une-b’evue s’alie à mourre, quando Lacan brinca com a equivocidade da língua francesa para transliterar a nomeação do inconsciente na língua de Freud. Como podemos ler, l’une-b’evue translitera unbewusste vertendo “um significante” por “um significante outro”, com o suporte da sonoridade. Não estamos diante de uma cadeia significante, em que 𝑆1 traduz-se em 𝑆2. Trata-se de uma leitura do 𝑆1 que escreve outro 𝑆1, abrindo o enxame de 𝑆1 essum essum zumzum.

Conjecturamos que o acréscimo lacaniano à nomeação do conceito crucial da psicanálise – o inconsciente – imprime, sobretudo, sua inclusão no campo epistemológico e clínico, à seu modo. Por isso, de um inconsciente à outro, do seminário 11 (1964) ao seminário 24 (1976), não apenas encontramos uma dimensão histórico-cronológica do ensino de Lacan, leitor de Freud, mas destacamos um período de trânsito entre o inconsciente estruturado como uma linguagem e o inconsciente como equívoco que alterou consideravelmente o modo de psicanalisar.

Não se trata, portanto, de uma substituição ou superação de argumentos lógicos, pois Lacan sempre contou e incitou os psicanalistas a não ignorarem o terreno freudiano. Quando afirmamos que a transformação entre modos de formalizar o inconsciente alterou o ato analítico, destacamos que o verbo, utilizado no passado, sugere o percurso de ação que teve início e conclusão no passado. Mas nossa proposta de trabalho este ano intenciona pulverizar esta certeza, interrogando-a: alterou? Não era suposta de alterar? Se altera, em que? 

Cada analista autoriza-se por si, com alguns outros, e situa, em sua práxis e em seu ato, como se implica neste percurso. Apostar num fazer clínico artesanal a partir da noção de inconsciente tem consequências, um preço a pagar. Vamos abrir espaço para interrogar as consequências de uma direção de leitura que se orienta pela letra originária, produzindo efeitos manifestados no corpo falante no ato de leitura, sabendo-se estrangeiro entre línguas e insistindo em passar a-diante. Afinal, “estamos do lado do paciente no muro da linguagem, que é o mesmo muro pra ele que é para nós, mas tentamos responder ao eco de sua fala. (Lacan, 1953,p. 317)

Calendário de trabalho 2025

  1. Seminário de Sigmund Freud 

Coordenação: Germano Almeida

Texto de trabalho: Freud, S. (1901/1904). A psicopatologia da vida cotidiana.

Datas dos encontros: 13/03, 27/03, 10/04, 24/04, 15/05, 29/05, 12/06, 26/06, 14/08, 28/08, 11/09, 25/09, 16/10, 30/10, 06/11

Horário: 9h-11h

O seminário será realizado de forma online, via GoogleMeet.

Valor: R$ 200,00 mensal

Inscrições: germanoalmeida.pereira@gmail.com

  1. Seminário de Jacques Lacan – Coordenação: Aline Accioly e Cirlana Rodrigues

Texto de trabalho: Lacan, J. (ano). O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. 

Datas do encontros: 08/03, 22/03, 05/04, 19/04, 03/05, 17/05, 07/06, 09/06, 23/08, 13/09, 27/09, 11/10, 25/10

Horário: 10h-12h

O seminário será realizado de forma presencial em Uberlândia. Residentes de outras cidades que desejam participar de modo online podem mandar email para viabilizarmos a participação de modo híbrido.  

Valor: R$ 200,00 mensal

Inscrições: alinesieiro@gmail.com ou cirlanarodrigues@gmail.com

Há um desconto de 10% para os participantes dos dois seminários. 

  1. Giros do nó 

Giros do Nó é um espaço onde os colegas psicanalistas, participantes dos seminários, se colocam (e nos colocam) a trabalho de “questões” que lhe são pertinentes a partir de seu fazer como psicanalista e dos efeitos do seminários. Este espaço se estende ao longo do ano, com três momentos: no primeiro semestre, segundo semestre e na Reunião Aberta, onde o objetivo é reescrever a questão mediante o avanço dos trabalhos. Maiores informações com os participantes.

Gratuito para os participantes do Seminário de Freud e Lacan. 

Datas Previstas: 29/03, 10/05, 31/05, 30/08, 06/09, 04/10

Horário: 10-12h

  1. Grupo de Supervisão clínica-institucional em psicanálise com crianças e adolescentes. 

Data: Quartas-feiras (início previsto para 12/03/2025), quinzenal, presencial. 

Horário: 18h-20h.

Maiores informações: cirlanarodrigues@gmail.com

  1. Leitura do texto O que é um significante? de Cirlana Rodrigues 

(Atividade prevista para o segundo semestre, com outras informações, posteriormente)

“O que é um significante?” Durante a pandemia participei de um evento on-line, na semana de psicologia (IP/UFU). Falei sobre o significante na psicanálise. Persegui momentos da teoria onde é feita a pergunta “O que é um significante?”, por Lacan. A minha questão foi, e ainda é, por qual razão Lacan faz essa pergunta em momentos tão distintos de suas formulações, e não apenas sobre o que  fazia com a noção de significante. O que foi solucionado dessa questão? Quais os efeitos na clínica e na metapsicologia com o que vinha depois que a pergunta era feita? E, claro, com o “adeus à linguagem”, o que resta dessa questão? O que  resta do resto que forma o inconsciente psicanalítico? Do material deste curso, produzi uma primeira parte de escrita sobre os dois primeiros tempos da questão. Falta um terceiro tempo que está em elaboração (estou tomando esse enunciado como um marcador de transformação na teoria, pois o ‘significante’ sempre foi o que é, um equívoco, não se limitou a ser só o funcionamento do inconsciente ou uma lógica de unidade da teoria psicanalítica). Este ano,  terminarei esse escrito e, pasmem, na forma de ensaio (mais ou menos rs). Vai se chamar, evidentemente, “O que é um significante?”. Antes de colocar o texto-livrinho em circulação, farei alguns encontros com interessados em ler essa questão. Veremos no que vai dar esse “fetiche pelo significante” (Tupinambá, 2024). E vamos para além do princípio da subversão, por favor e, reforçando, que coisas como o significante de Lacan e o significante de Saussure já foram bem investigadas. Não é mais isso.”

  1. VII Reunião Aberta da Haeresis

Tema geral: A linguagem do equívoco e o fazer do analista em nosso tempo

Data: 13 e 14 de novembro de 2025

Inscrições Gratuitas, com maiores detalhes no segundo semestre de 2025. 

V Reunião Aberta – 2023-2

Em que língua se conta de uma análise?

Apresentação e Convocatória escrita por Cirlana Rodrigues de Souza

Estamos em Uberlândia, Minas Gerais e, apesar de Sertão, não é bem o Sertão de Guimarães Rosa. Mas, como todo Sertão, está em nós. Faz nós, enlaça, desenlaça, amarra, solta, amordaça, liberta, afeta pessoas, embaraça. E é nesta terra, cada vez mais árida, que escutamos, como analistas, sujeitos que se propõem a falar de si, a dizer de si. Sendo cada sessão de análise uma poética e cada pessoa uma poesia, partimos disto: uma análise é uma reinvenção das línguas, de uma mesma língua enxertada de novas palavras, da língua do Outro que me causa, que herdo, traduzo, transformo e com a qual atravesso os tempos. Numa análise, torno essa forma mais humana que existe um discurso, me localizo, localizo os outros. Conduzo, como todo falante, a civilização. Quando uma criança fala, seja como for, num gesto, num grito, num silêncio, num barulhinho de voz qualquer, nas palavrinhas tortuosas e inventivas, essa civilização caminha, avança Sertão adentro. Se Guimarães nos faz (a)travessar o Sertão toda vez que se lê a instância da letra com a qual nos contou ao mundo, convidamos aos interessados na psicanálise à escuta do que temos a dizer sobre as palavras ditas e sobre os ditos por traz delas, como praticantes do inconsciente. Escutar a nós e aqueles que invocamos a contar que línguas falam e como escutam as línguas dos Outros, línguas impregnadas de ecos, memórias e associações, pois uma palavra, afinal de contas, não é apenas uma palavra, carrega sempre um segredo: carrega nosso desejo. 

Data: 01/12/2023 e 02/12/2023

Evento Presencial e Gratuito em Uberlândia, MG

Local: Anfiteatro 5OA – Campus Santa Mônica/Universidade Federal de Uberlândia

Necessário inscrição prévia. Vagas limitadas. 

Em breve vamos divulgar a programação completa.

LINK de Inscrição –> Sympla (As inscrições começam no dia 24/10/23 (Terça-feira)

Espaço sobre escritas 2019

A escrita haeresie (R S I)

Coordenadora: Aline Accioly Sieiro

Membro – Associado Hæresis

alinesieiro@gmail.com

No primeiro ano do espaço sobre escritas, percorremos um caminho que teve como norte “fazer traço no engodo de nossa intenção de escrever, torná-la uma experiência de subjetivação buscando investigar o “que significa escrever”: passar a outra coisa, passar pelo escrito” (Souza, 2018, Hæresis Associação de Psicanálise). Estudamos a estrutura das escritas apoiadas na consistência de palavras, em suas tendências de satisfação pulsional via recobrimento imaginário. A escrita psíquica, ou melhor, a escrita do trajeto pulsional de um sujeito é particular, é a “ativação dos traços”(Freud, 1977, p. 589), mas esse traço não é imaginário, não tem equivalência com a imagem.

Sobre as escritas a partir de memórias, entendemos que as escritas de recordações de infância tem seu lugar na psicanálise, mas existe um ponto de passagem dessa escrita para outra escrita. “Não está de modo algum definido que, com a psicanálise, vai se conseguir escrever. Para falar propriamente, isso supõe uma investigação a proposito do que significa escrever para cada um” (Lacan, 1975-76/2005, p.143). Aportamos em uma busca do traço como suporte mínimo do sujeito, traço do escritor, daquele que escreve elidido.

Assim, apresentamos a proposta do Espaço sobre Escritas para 2019, partindo das considerações lacanianas, especialmente a partir dos anos setenta, tempo de formalização da topologia borromena, ensejando que algo do impossível se demonstrasse. A aposta na topologia implica a elaboração de um espaço a partir da noção de vizinhança, suporte de letras, sem imagem, em torno do nada. “Essas letras que fundam a topologia supõe senão o real” (Lacan, sem XXI, p. 107)

A escrita de haeresie, homofonia em francês para as letrinhas RSI – Real, Simbólico e Imaginário, testemunha a ação de uma escolha (Lacan, Sem XXIII, p. 16), ela própria a sulcagem de um trajeto pulsional, “rasura pura de nenhum traço anterior” (Lacan, Lituraterra, p.), uma rasura que se escreve como traço, mas não cessa de não se ler. “Só a escrita faz três”. (sem 21 p. 93)

Se a escrita constitui ao mesmo tempo que revela o sujeito, nosso objetivo para esse ano é estudar os caminhos por onde Lacan propôs a escrita como ato de eRRancia do sujeito, enodação de um pedido, uma recusa e uma oferta (“Peço que recuses o que te ofereço porque não é isso”), onde o isso é tocado em pedaços, “pedaços de real”. (sem 23)

Ao longo do ano, vamos trabalhar com a leitura de textos sobre a temática e com a produção escrita dos participantes do espaço. Essa produção escrita pode ser sobre qualquer área ou temática que leva em conta a psicanálise lacaniana, pois o que buscamos é colocar em ação o desafio de debruçar-se sobre o ato de escrita, para além de sua materialidade e/ou gênero textual, em sua experiência pulsional.  

Percurso proposto:

  1. Escrita e invenção; Escrevendo o indizível; Escrita, ato de invenção em torno do real.
  2. Por uma clínica psicanalítica do escrito; Tradução, transcrição e transliteração.
  3. Escrita e traço unário
  4. A função do escrito
  5. Alingua é Real, o Real é três
  6. Escrita e Real, Sulcagem e Cifra

Datas e horários

Serão dez encontros durante o ano de 2019, realizados uma vez por mês, com três horas de duração, aos sábados a tarde, conforme datas abaixo:

Marco – 16

Abril – 13

Maio – 11

Junho – 08

Julho – 06

Agosto – 03

Setembro – 14

Outubro – 05

Novembro – 09

Dezembro – 07

Cossich, Tai. (2017) A espetacular clínica da monga apresenta Caso Original

Cossich, Tai. (2017) A espetacular clínica da monga apresenta Caso Original

Referências Bibliográficas

Rinaldi, D. (2006). Escrita e invenção.

Assenço, R. & Vorcaro, A. (2018). Escrevendo o indizível.

Allouch, J. (1995) Letra a Letra.

Freud, S. (1900). A interpretação dos sonhos.

Lacan, J. (1966-67). O Seminário, Livro 14 – A Lógica da Fantasia.

Lacan, J. (1972-73). O Seminário, Livro 20 –  Mais, Ainda.

Lacan, J. (1974-75). O Seminário, Livro 21 – Os não tolos erram.

Lacan, J. (1975-76). O Seminário, Livro 23 – O sinthoma.

Souza, C. R. (2018) Escrita, ato de invenção em torno do real.

Reuniões 2019 – Conceitos na psicanálise de Jacques Lacan

Proponente: Cirlana Rodrigues (Membro-Associado Haeresis)


Em Linguística, “conceito” é ideia abstrata compreendida nos vocábulos de uma língua, construída para caracterizar as qualidades de uma classe, de seres ou de entidades imateriais. Jacques Lacan, ao longo de Seminários e Escritos, trabalhou em torno de formulações lógicas e complexas sobre os fundamentos da Psicanálise sem caracterizar e/ou qualificar esses fundamentos a partir de reflexões cognitivas: tratava-se, para o psicanalista, de colocar na linguagem os arranjos da clínica. Assim, “conceito”, em psicanálise, merece ser lido como “lógica”, como o encadeamento dos significantes que dizem sobre a experiência analítica, suas transformações e atualizações ao longo da cadeia epistemológica da psicanálise. Não haveria uma definição totalizante neste ou naquele seminário, neste ou naquele escrito, na obra de Jacques Lacan, ou um recorte que abarcasse todos os aspectos de determinado conceito e nem suas possibilidades de emprego dentro da experiência analítica. Diante disso, a proposta é dialogar sobre a gênese e as transformações de conceitos da psicanálise de Jacques Lacan a cada reunião partindo de recortes discursivos. Esse recorte não é sem consequências e não é sem riscos para a proposição onde dois aspectos dão a direção: 1) a experiência da psicanálise não é uma experiência intelectual, mas uma experiência clínica onde cada conceito é construído para localizar na epistemologia do campo discursivo da psicanálise a experiência de análise respondendo às implicações de haver inconsciente; falar em ‘conceitos e noções’ , em psicanálise, é falar sobre o que se passa nas análises; 2) será fundamental para as elaborações em torno do que se propõe, as interpolações dos participantes sobre cada conceito.

As reuniões serão mensais, com duração de três horas, aos sábados, das 13:30h às 16:30h. Valor: 120,00. Será sugerido, antecipadamente, a leitura do recorte a ser trabalhado. Solicitação de participação será apreciada pela proponente das Reuniões. Entrar em contato pelo e-mail cirlanarodrigues@gmail.com

Cronograma – Data – Conceito
23 de Fevereiro de 2019 – Estádio do Espelho
23 de Março de 2019 – Imaginário 
20 de Abril de 2019 – Linguagem e simbólico
25 de Maio de 2019 – Sujeito / Outro
22 de Junho de 2019 – Tempo lógico
20 de Julho de 2019 – Dialética: desejo e demanda
24 de Agosto de 2019 – Falo / Nome-do-pai
21 de Setembro de 2019 – Real
26 de Outubro de 2019 – Alienação, afânise e separação
23 de Novembro de 2019 – Objeto a
14 de Dezembro de 2019 – Sexuação

Espaço Hæresis sobre crianças e adolescentes 2019

Espaço Haeresis sobre crianças e adolescentes 2019 – O brincar, o desenho e o diálogo: das invenções da criança às in(ter)venções do analista / Coordenadora do Espaço: Cirlana Rodrigues (Membro-Associado Haeresis)

O Espaço Haeresis sobre crianças e adolescentes irá trabalhar em torno das ‘linguagens’ da criança na experiência analítica. A proposta é colocar na cena clínica três possibilidades de intervenções na clínica psicanalítica com a criança a partir das invenções (si) que a criança nos oferece: o brincar, o desenho e o diálogo. O trabalho será feito em torno de noções não psicologizantes, não pedagógicas e não biologizantes desses elementos que convergem com fundamentos da clínica psicanalítica com a criança e a constituição do sujeito. Recortes da experiência clínica com crianças serão enlaçados às proposições de Sigmund Freud, Jacques Lacan, Edith Derdik, Cláudia Lemos, Angela Vorcaro. Ainda, iremos a autores como Donold Winnicott, Melanie Klein, Françoise Dolto, Julieta Jerusalinsky na extensão dessas invenções da criança na clínica: suas soluções para seus impasses constitutivos, suas modalidades de sofrimento que atravessam sua condição de vir-a-ser sujeito do desejo, seus arranjos e desarranjos lógicos e topológicos frente a seu sintoma, frente a ser sintoma.

Os encontros serão mensais, com duração de três horas, aos sábados, das 13:30h às 16:30h. Valor: 120,00. Solicitação de participação será apreciada pela coordenadora do Espaço. Entrar em contato pelo e-mail Cirlanarodrigues@gmail.com
Cronograma-Data-Tema: 
30/03/ 2019 – Considerações sobre a Clínica Psicanalítica com a criança 
27/04/ 2019 – O brincar
18/05/2019 – O brincar
29/06/ 2019 – O desenho
17/08/ 2019 – O desenho
28/ 09/ 2019 – O diálogo
19/10/ 2019 – O diálogo
30/11/ 2019 – Das invenções da criança às in(ter)venções do analista

A clínica e a Psicose na Psicanálise de Jacques Lacan

Reuniões 2019 – A Clínica e a Psicose na Psicanálise de Jacques Lacan
EM SÃO PAULO

Proponente: Maria Tereza Perez
(Membro-associado Haeresis)

Em alinhamento com a proposta de “Reuniões”, como um dos dispositivos para fazer operar a transmissão da Psicanálise, a Haeresis, também ressalta, neste ano, o esclarecimento da noção de conceito, enquanto aquilo que deve ser lido como lógica. Lacan, ao longo de sua trajetória e ensino, se dedicou a inaugurar e reinaugurar, na séria continuidade da escrita e pesquisa em Psicanálise, conceitos sobre a clínica psicanalítica ante a psicose.
Se Freud já acena com estratégias de solução para a psicose, especialmente através do conceito de delírio, Lacan empreende com coragem e fôlego para fundar as lógicas que imprimem o campo da psicose na história, diante daquele que se ocupa de psicanalisar, ou seja, de subverter o dito classificatório, de desmantelar a ciência e a modernidade enquanto mandantes do gozo desregrado.
De “A Bolsa ou a Vida” ao universo cósmico Joyceano em Finnegans Wake, Lacan empreende uma revisão da estrutura da linguagem para discutir o inconsciente e gozo através de muita conceituação-lógica. Os nós, real em topologia borromeana, dão a direção e o tom dos des-caminhos da clínica psicanalítica, em seus encontros com os gênios, nas amarrações da vida. 
Diante do extenso exercício lacaniano, o objetivo é se debruçar e conversar sobre a como cada conceito foi tomando corpo e se atualizando conforme a clínica promovia matéria. Nesse sentido, será através dos recortes e de relatos clínicos, bem como das necessárias considerações dos participantes que a atividade poderá acontecer.

As reuniões serão mensais, com duração de três horas, às terças, das 19:00h às 22:00h Investimento: 120,00. Será sugerido, antecipadamente, a leitura do recorte textual a ser trabalhado. Solicitação de participação será apreciada pela proponente das Reuniões. Entrar em contato pelo e-mail maitepsico4@gmail.com


Cronograma
Datas Temática
26/02 Abordagem freudiana das psicoses (perda de realidade e reconstrução do mundo)
26/03 Abordagem Lacaniana das soluções nas psicoses: desencadeamento e estabilização
23/04 A Linguagem, estrutura e mais-além
28/05 Mais-além: Lalíngua, letra, escrita 
25/06 Percurso paradigmático do Gozo em Lacan
23/07 Foraclusão, do Nome-do-pai aos Nomes-do pai
27/08 O que temos a enfrentar com a topologia (NÓS)
24/09 Suplência e estabilização? Metáfora/Ato/Obra.
22/10 O autor e sua obra: Joyce, Mutarelli, Arthur Bispo do Rosário. Sujeito e Savoir-fare.
26/11 O autor e sua obra: Joyce, Mutarelli, Arthur Bispo do Rosário. Sujeito e Savoir-fare.

Espaço Hæresis de história e transmissão da Psicanálise – Formação finita e infinita na escola lacaniana – de Paris ao Sertão da Farinha Podre

Espaço Hæresis de história e transmissão da Psicanálise

 

Tema 2018: Formação finita e infinita na escola lacaniana – de Paris ao Sertão da Farinha Podre

 

Na carta de dissolução de sua Escola, em 1980, Lacan afirmou: “Há um problema da Escola. Não é um enigma. Eu me oriento para isso, e já não é sem tempo (…). Trata-se da dissolução. (…) Em outras palavras, eu persevero” (p. 319/320). Dias depois da publicação da carta de dissolução, Lacan (1980) declara: “Não espero nada das pessoas e alguma coisa do funcionamento. Portanto é mister inovar porque esta Escola, eu a errei ao ter fracassado em produzir a partir dela analistas que estivessem à altura. “

 

O ponto de basta de Lacan foi um ato analítico. Marcou o fim de uma tentativa de institucionalização da formação do analista, mas não da transmissão em psicanálise. Esses impasses de institucionalização, entre formação e transmissão, insistem em fazer questão no campo psicanalítico. Freud, em Analise finita e infinita (1937), evidenciava sua preocupação com as análises de seus primeiros analistas. Anos antes, Ferenczi (1930) havia se queixado com Freud sobre seu processo de análise, acreditando que não havia chegado ao fim. Começou a trabalhar com os problemas do fim de análise e abriu um espaço entre os primeiros analistas para questionar as balizas que determinariam o final de análise, especialmente dos analistas. No texto de 1937, Freud colocava a trabalho essa discussão e parece ter indicado que conceitos como pulsão, resto e impossibilidade davam um norte para a elaboração de algumas respostas aos impasses do campo freudiano.

 

Na década de cinquenta, Lacan havia dado início a sua Escola a partir desse impasse herdado do ensino freudiano, em seu tempo de analista didata na IPA. Ele fundou o campo lacaniano em busca de saídas para (1) o problema do final de análise, (2) o impasse nas análises dos analistas e, sobretudo, (3) o sucesso na formação das primeiras gerações de analistas pela IPA, que, produzindo analistas ideais, fracassava na transmissão da psicanálise freudiana – a afirmação inconsciente em sua radicalidade.

 

“Eu me esforcei em demonstrar como se especifica o inconsciente freudiano. Aos poucos, os universitários tinham conseguido digerir o que Freud, por outra parte, com muita habilidade, tinha se esforçado em tornar-lhes comestível, digerível. Freud mesmo se prestou a isso ao querer convencer”.

 

Lacan ia na contramão do campo freudiano: falava para poucos, usava uma linguagem nada didática e construiu dispositivos específicos para sua escola, como o cartel e o passe. No entanto, trinta anos depois, algo insistia em não se inscrever. Era disso que a psicanálise tratava, afinal.

 

O que o fracasso da escola de Lacan e os impasses das analises infinitas no campo freudiano nos ensinam sobre a transmissão da psicanálise? Com quantos dispositivos se (des)constrói um analista? O que tudo isso tem a ver com o campo psicanalítico em Uberlândia?

 

Com essas questões, abrimos os trabalhos do espaço de história e transmissão da psicanálise no ano de 2018. Vamos percorrer alguns textos de Lacan dos Escritos e Outros Escritos, tendo como eixo central as tentativas de formalização dos dispositivos de formação, para acompanhar o que insiste diante de todos os problemas e fracassos deste no tempo lacaniano.

 

“Todos julgam ter uma idéia suficiente sobre a psicanálise. O inconsciente, ora, é o inconsciente. Todos sabem agora que existe um inconsciente. Não há mais problemas, mais objeções, mais obstáculos. Mas o que é esse inconsciente? (…). No fim das contas todos concordam, a psicanálise é um assunto encerrado, mas, para os psicanalistas, não pode sê-lo”. (Lacan, 1967)

 

 

Referências Bibliográficas

FREUD, S. (1937) Análise finita e infinita. In Fundamentos da Clínica Psicanalítica, Obras Incompletas de Sigmund Freud. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2016.

FERENZCI, S. (1928) Problemas do fim de análise.

LACAN, J. (1980) Carta de dissolução. In Outros Escritos. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2001.

LACAN, J. O triunfo da religião. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2005.


Dos encontros: Realizaremos encontros quizenais, aos sábados, das 09:00 h às 10:30 h, no espaço da Hæresis Associação de Psicanálise, localizado à  Rua Francisco Vicente Ferreira, 282 – Uberlândia(MG). Datas previstas: 10/03; 24/03; 07/04; 05/05; 19/05; 02/06; 16/06; 11/08; 25/08; 22/09; 20/10; 01/12 (continua em 2019).

Informações sobre valores e contato com responsável pelo Espaço, pelo e-mail: haeresispsicanalise@gmail.com

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